May 29, 2009

Caros amigos e cibernautas,
O governo chinês voltou a bloquear vários servidores nos quais estão alojados diferentes blogues, pelo que não me tem sido possível escrever no "Existir na China" (não consigo sequer entrar no meu "dashboard"!!). Assim, resta-me esperar que voltemos a ter acesso aos nossos blogues. Se consegui escrever este post (nem vou poder certificar-me que esta nota foi realmente publicada) foi através de uma aplicação denominada "ping.fm".
Enfim, um pouco de paciência e, até um dia...!

Apr 13, 2009

Os chineses e o Kung Fu - 中国人和功夫

[foto tirada à caminho do templo de Shaolin, perto da cidade de Zhengzhou (província de Henan) onde estive em Outubro de 2008]

Quem nunca ouviu falar em "kung fu"? Este termo de sonoridade cantonense (em mandarim diz-se "Gong Fu", 功夫) designa para nós, ocidentais, as artes marciais chinesas em geral.
Na verdade é uma atribuição errada pois o nome que denomina tal generalidade é "wuchu" (武术).

"Gong fu" (ou "kung fu") quer dizer na verdade, o domínio de uma arte, sendo que "gong" significa "perfeição", "controlo", "domínio" em português e "fu" significa "arte", "ofício". Assim sendo, se dominarmos completamente uma qualquer arte somos "gong fu".
Daí se designar na China aqueles que dominam a arte de servir chá de "gongfu cha" (功夫茶).

O "wushu" (as artes marciais em geral) faz parte do currículo universitário sendo uma das disciplinas integrates das aulas de ginástica: "Qigong" (氣功) e "Taiji quan" (太极拳), são por exemplo, algumas das artes marciais ensinadas aos alunos.

Em termos de cinema, virou moda associar o "kung fu" (enquanto "arte marcial específica") a uma variedade de aspectos da vida quotidiana ou desportos.
Desde aos filmes interessantes e de qualidade do actor e realizador Stephen Chow (周星驰) aos medíocres filmes de 2ª classe (para não dizer pior).

De e com Stephen Chow (Zhou xingchi), actor aliás que prezo, temos os conhecidíssimos "Shaolin Soccer" (少林足球) - basicamente futebol associado ao "kung fu";
E "Kung Fu Hustle" (功夫) que em português creio que foi traduzido por “Kungfusão” - luta entre a máfia e uns pobres aldeões.
De realçar que estes dois filmes são de Hong Kong, território onde, para mim se produzem filmes de qualidade superior àqueles que se fazem no continente chinês. Atenção, falo aqui de filmes comerciais, pois em termos de cinema "alternativo" a China continental tem muito bons filmes.

Mas pelo amor de Deus, há limites!
Os dois seguintes são de uma mediocridade ímpare, especialmente o 2º!
O 1º realizado em conjunto entre Taiwan e a China continental e o segundo produzido na China:
Kung Fu Dunk (功夫灌篮) - basicamente basquetebol e "kung fu" (para mim uma tentativa falhada do "Shaolin Soccer");
e o 2º intitulado (de fugir!), Kung fu hip hop (精舞门) do realizador Fu Huayang, onde se tenta articular a música e dança hip hop ao "kung fu"!
De facto, a inspiração (ou ousadia) humana não tem limites e prova disso são estes dois filmes (entre tantos outros). Mas aqui, insiste-se em associar as artes marciais chinesas com aspectos do nosso quotidiano ou sociedade que nalgumas ocasiões não têm relação nenhuma, revelando apenas a necessidade que alguns chineses têm em querer fazer crer que em qualquer e toda actividade humana há algo de profundamente chinês... Por exemplo no filme "kung fu hip hop" há uma personagem que tem o descaramento de dizer que o hip hop (parto do princípio que o homem se refere apenas à dança) vem do "kung fu"... ah pois é...!

Em termos cinematográficos o que é que falta? Bem, pensei em "Kung fu badmínton"! Ou "Kung fu ping pong"? E porque não, sendo estas modalidades desportivas as preferidas dos chineses?

Bom, em termos de terminologia, se considerarmos o real significado do termo "kung fu" (dominar totalmente uma arte), todos estes filmes estariam a usa-lo de forma correcta mas na verdade, todos eles põem de lado este facto e utilizam aqui a designação como se ela significasse uma arte marcial específica...

Divagações, divagações...

Apr 12, 2009

Saudades... - 思念...


... que eu tenho de uma Super Bock bem fresquinha...

Apr 11, 2009

A festa do Qingming (Suprema Claridade) – 清明节

O último fim de semana foi um final de semana prolongado visto que na 2ª feira foi feriado! E isso dá-se pelo facto de celebrarmos na China o Qingming.

Contrariamente à grande parte das celebrações tradicionais chinesas ligadas ao calendário lunar, a Festa do Qingming está ligada ao calendário solar.
Esta celebração está associada às mudanças climatéricas e ao ciclo agrícola. É celebrada no terceiro mês lunar (Abril), época relacionada com a crença de que a vida se renova nos primeiros dias desse mês. Esta ocasião está assim associada à ideia de “rejuvenescimento das forças da natureza”, à pureza e ao renascimento.

Mas esta celebração de tradição agrícola também tem um carácter de cunho familiar, tais como as de homenagem aos familiares falecidos. O Qingming é desta forma e sobretudo uma festa dedicada aos antepassados, pilar e eixo da moral confucionista.

Durante os dias da festividade costuma-se ir aos cemitérios ou aos túmulos “espalhados” nalguns montes, enfim, para todos os locais onde estão sepultados os antepassados para prestar-lhes homenagem e culto. Limapam-se as campas e os arredores; e faz-se um piquenique junto à campa, partilhando desta forma uma refeição com o defunto. Na verdade, apenas os mais velhos o farão. Quando hoje falei com a geração mais nova (na faixa dos 20 anos), todos eles responderam que não a celebravam e alguns inclusivé desconheciam as tradições dos seus avós.

(Nas fotos em cima: o mesmo túmulo num monte, antes e depois da festa do Qingming.)

Mas esta celebração não é somente uma ocasião de culto: é igualmente o sinal anunciador da primavera. E a primavera é a época de lançamento de papagaios, sobretudo no Norte da China, onde há muito vento.

O papagaio poderá ter sido inventado há mais de 2300 anos, durante o período dos Reinos Combatentes (475-221 a. C.), por um marceneiro de seu nome Lu Ban (鲁班).
No entanto, há quem diga que Lu Ban terá “apenas” melhorado o design do papagaio que lhe terá sido dado pelo seu mestre Mo Zi (墨子) também conhecido por Mo Di (墨翟), um filósofo, este sim, inventor do engenho.

A finalidade da sua utilização era muito diferente da de hoje. De facto, mais do que um divertimento, o papagaio era inicialmente utilizado para fins militares.
Ao que parece, o primeiro imperador da dinastia Liang (梁朝) (502-557), Wudi Liang (梁武帝) terá utilizado um papagaio aqui mesmo em Nanjing, como “SOS”, para pedir ajuda quando veio ocupar a cidade.

Mesmo que cada dinastia tenha utilizado o papagaio de diferentes maneiras (uns serviram-se do engenho para elevar homens aos céus e espiar ou vigiar tropas inimigas; outros utilizavam-no como meio de propagação de propaganda) o certo é que o fim a que este se destinava era unicamente militar.

Mais tarde, também se começou a lançar papagaios com o propósito de pedir protecção às divindades. Quanto mais alto subisse o papagaio mais facilmente os deuses receberiam as solicitações. Os mais supersticiosos acreditavam ainda que estes lançamentos transportavam para o céu, toda a má sorte de um homem, afastando desta forma, a má influência dos espíritos malignos. Por essa razão, diz-se, nunca se deve pegar num papagaio encontrado no chão ou preso numa árvore.

O lançamento de papagaios terá começado a ser usado como divertimento durante a dinastia Tang (唐, 618-907).
E aí sim, encontraremos miúdos e graúdes a deliciar-se com esta actividade. Aqui em Nanjing tenho visto muitos papagaios deverás interessantes, não tanto pela envergadura ou beleza, mas sim pelas representações adoptadas (o bat-sinal do Batman, por exemplo).

A propósito, em Macau também se lançavam papagaios (em qualquer altura do ano) numa brincadeira a que se chamava de “corta-corta”. O fio do papagaio era revestido de cola e cacos de vidro. Os miúdos faziam “lutas” de papagaios cujo objectivo era cortar o fio do papagaio do oponente. Brincadeira que desapareceu completamente.

Para mais informações sobre esta festividade e em particular celebrada em Macau, vejam o artigo publicado no meu blogue anterior “Existir em Macau”: http://existiremmacau.blogspot.com/2007/04/festa-do-chingming.html

Apr 10, 2009

Quando devemos deixar a China? - 什么时候我们得离开中国?

Algumas vezes passa-nos pela cabeça (a nós "expatriados") uma pergunta que coloca toda a nossa existência num determinado lugar, em causa: o que raio faço eu aqui?

Confesso que por várias vezes já me deparei com tal questão.
No blogue "Deserto de Gobi" (http://desertodegobi.blogspot.com/) foi publicado no dia 25 de Junho de 2007 uma interessante lista de razões pelas quais deveríamos deixar a China, intitulado "80 sintomas da doença".

Transcrevo (e traduzo) aqui apenas algumas, aquelas que considero mais engraçadas e próximas da realidade.

Está na hora de deixar a China quando...

1- ... adoramos KTV;
2- ... fumamos num elevador cheio de gente;
3- ... todos os estrangeiros nos parecem iguais;
4- ... já não precisamos de lenços para nos assoarmos;
5- ... achamos as casas de banho ocidentais, desconfortáveis;
6- ... achamos normal atirar o lixo pela janela do 18º andar, mesmo que seja o nosso velho frigorífico;
7- ... dizemos aos nossos pais, lá na terra, que a casa deles tem mau Feng Shui;
8- ... andamos sempre com um maço de notas de dinheiro no bolso;
9- ... não temos qualquer problema em cuspir para o chão dentro de um restaurante;
10- ... preferimos pagar 10 yuan para ficar num cibercafé toda à noite do que pagar 30 para voltar para casa;
11- ... já não fazemos fila, preferindo passar directamente à frente;
12- ... já se torna engraçado tentar entrar num elevador quando as pessoas ainda estão a sair dele;
13- ... já não nos surpreende que a única resolução tomada numa reunião é a hora e o local da próxima reunião;
14- ... acreditamos em tudo aquilo que é dito nos jornais;
15- ... um acidente rodoviário é caso para rir;
16- ... ao fazermos compras, encontramos um "laowai" e tentamos imediatamente olhar para o seu carrinho de mão para ver o que ele comprou e assim saber o que ele come;
17- ... temos a unha do nosso dedo mimdinho bem comprida;
18- ... achamos valer a pena fazer fila para comer no Pizza Hut;
19- ... quando, numa fila, passamos à frente, porque o estúpido do "laiwai" deixou 2 centímetros entre ele e a pessoa à sua frente;
20- ... não temos absoluta noção das regras de trânsito;
21- ... começamos a chamar os outros estrangeiros de "laowai";
22- ... da última vez que visitamos os nossos pais, deixamos-lhes o nosso cartão de visita;
23- ... achamos que nenhum carro é completo sem a caixinha do lenços de papel no tablier;
24- ... saimos a rua de pijama;
25- ... "poluição, que poluição? Onde?";
26- ... achamos que "comprimidos brancos, comprimidos azuis e comprimidos cor de rosa" é uma resposta adequada para a pergunta "o que é que me está a receitar sr. doutor?";
27- ... a queima de panchões já não nos incomoda;
28- ... a nossa família deixou de nos perguntar quando voltaremos para casa;
29- ... se torna giro comer de garfo e faca;
30- ... temos saudades de comida chinesa quando estamos na nossa terra;
31- ... para nós, uma salada é um prato de fruta cortada em pedaços com maionese;
32- ... vestimos um fato para trabalharmos no jardim ou fazer alguns reparos em casa;
33- ... não conseguimos dizer um número sem fazer o respectivo sinal com a mão;
34- ... reconhecemos todas as músicas chinesas que passam na rádio e cantámo-las em conjunto com o condutor de táxi;

Estão aqui apenas 35 dos 80 sintomas... hilariante!

Apr 3, 2009

Sugestão DVDs (II) - 推荐 DVD (二)

Mais duas sugestões vídeo:

BBC: Wild China (BBC: 美丽中国)
Óptimo documentário sobre a história natural da China, co-produzido pela BBC e a Televisão Central da China.
O filme é de uma extrema beleza (com a qualidade que só a BBC sabe produzir) e revela-nos uma China fascinante em termos de fauna e flora mas também em termos de formas tradicionais de vida de vários povos, sempre em estreita ligação com a natureza que os rodeia (ainda e por enquanto). Aspecto que torna o filme cultural.
Aborda também os perigos existentes devido aos problemas ambientais e desenvolvimento humano, alertando para o facto de existirem actualmente na China, na área da protecção ambiental, grandes lacunas e uma falta de profissionais qualificados.

Dividido em 6 partes:
1ª parte: Heart of the Dragon
2ª parte: Shangri-La
3ª parte: Tibet
4ª parte: Beyond the Great Wall
5ª parte: Land of the Panda
6ª parte: Tides of Change


Chung Kuo - Cina (中国)
Um documentário realizado em 1972 por Michelangelo Antonioni (narrado pelo próprio) em Beijing, Nanjing, Suzhou, Shanghai e na província de Henan.
Filmado unicamente nas áreas que era permitido visitar Antonioni foca-se essencialmente nas actividades quotidianas dos chineses.

Dividido em 3 partes:
1ª parte: Beijing e arredores.
2ª parte: Suzhou e província de Henan.
3ª parte: Shanghai e Nanjing.

Documentário proibido na China mas que podemos encontrar nalgumas lojas (cópias piratas).
Se perceberem chinês, não deixa de ser interessante tentarem ouvir o que dizem certos interlocutores face à câmera e perante os “oficiais” chineses que seguem a equipa de filmagem. É basicamente o “politicamente correcto”, mas são reacções muito interessantes.

Mar 26, 2009

Visas para a China - 中国的签证


As autoridades chinesas concedem vários tipos de Visa de acordo com a identidade do requerente, os objectivos da solicitação e o tipo de passaporte.


O Visa comum integra 8 sub-categorias, a saber: L, F, X, Z, G, C, J, e D.

Tipo L (turismo): concedido àquele que vem à China com propósitos turísticos, para visitar membros da família, ou por qualquer outro assunto de natureza pessoal. Permite uma única entrada, normalmente por um período de 30 dias.

Tipo F (negócios): concedido àquele que é convidado a dar ou participar em conferências, investigação; àquele que vem por motivos de negócio ou ainda intercâmbio cultural e estudos de curta duração. Válido para múltiplas entradas, por um período de até seis meses. Há necessidade de apresentação de uma carta convite de uma instituição chinesa. O visto poderá ser prorrogado por até três meses.

Tipo X (estudante): concedido àquele que vem à China por motivos de estudo ou estágio com duração superior a seis meses. Concedido mediante a apresentação de inscrição num estabelecimento de ensino aprovado.

Tipo Z (trabalho)
: concedido àquele que vem trabalhar na China em empresas estrangeiras ou em joint-venturas. Também atribuido aos membros da sua família. Requer a apresentação de carta da empresa empregadora.

Tipo G (trânsito): concedido àquele que está de passagem à China. Válido por um período menor do que sete dias.

Tipo C (tripulantes): concedido à tripulação de aviões, barcos bem como aos membros da família.

Tipo J (jornalistas): concedido aos jornalistas estrangeiros. O tipo J está dividido nas seguintes categorias: Tipo J-1 para os jornalistas correspondentes estrangeiros residentes na China e o Tipo J-2 para os jornalistas correspondentes em missão de curta duração no país. Concedido para permanência de até um ano (Tipo J-1) e para permanência de até trinta dias (Tipo J-2).

Tipo D (autorização de permanência): concedido àquele que reside permanentemente na China.

A marcha dos voluntários - 义勇军进行曲

O hino Nacional da República Popular da China intitulado "A Marcha dos Voluntários" foi criado em 1935, com letra do poeta e encenador Tian Han e música do compositor Nie Er.


Tian Han (田汉) (à direita na foto) nasceu em 1898, na província de Hunan. Aos 18 anos de idade foi para o Japão onde conheceu e apaixonou-se pelo drama moderno. Ao voltar para a China tornou-se num dos maiores vultos do drama moderno chinês, sendo considerado o impulsionador desta arte.
Tian Han, homem pobre e humilde, é autor de largas dezenas de peças de teatro, opera, guiões de filmes, bem como de várias centenas de poemas.
Faleceu em 1968.

Nie Er (聂耳) (à esquerda na foto) nasceu em 1912, na província de Yunnan. Músico, tocava vários instrumentos tradicionais chineses e também o violino. Faleceu em 1935, algum tempo depois de ter composto a música do hino, no Japão, afogado. Há suspeitas de que a morte não tenha sido acidental.

Pelas diferenças existentes, seguem duas traduções em português do referido hino. A 1ª encontrada no Wikipedia e a 2ª no site da Embaixada da China em Portugal.

A marcha dos voluntários


Levantai-vos!
Vós que recusai a escravatura!
Com o nosso sangue e carne
Construiremos uma nova Grande Muralha!
A Nação Chinesa está num momento crítico
E de cada peito lança-se o último clamor:
Levantai-vos!
Levantai-vos!
Levantai-vos!
Nós, os milhões de corações que batem em uníssono,
Em desafio ao fogo inimigo, marcharemos!
Em desafio ao fogo inimigo, marcharemos!
Marcharemos!

(versão encontrada no Wikipedia)

De pé!
Os que recusam a escravidão!
Com nosso sangue e carne, levantamos uma nova Grande Muralha!
A Nação Chinesa enfrenta seu maior perigo,
De cada peito oprimido surge o último chamado:
De pé, de pé, de pé!
Somos milhões de corações que batem em uníssono,
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Desafiando o fogo inimigo, marcharemos!
Marcharemos, marcharemos, avante!

(versão encontrada no site da Embaixada da República Popular da China em Portugal)

义勇军进行曲

起来!
不愿做奴隶的人们!
把我们的血肉,筑成我们新的长城!
中华民族到了最危险的时候,
每个人被迫着发出最后的吼声。
起来!起来!起来!
我们万众一心,
冒着敌人的炮火前进!
冒着敌人的炮火前进!
前进!前进!进!

(versão original)

Mar 23, 2009

Diferenças culturais entre chineses e ocidentais - 中西方文化的不同

Liu Yang (刘扬) é uma artista chinesa de Beijing, nascida em 1976. Estudou na Inglaterra e vive actualmente na Alemanha.
Em 2003 organizou uma exposição intitulada "Diferenças entre alemães e chineses", uma exposição que retrata as diferenças culturais entre os alemães (ocidentais) e os chineses, através de imagens.

As ilustrações são bem divertidas mas cheias de realismo.
Exponho aqui algumas delas.
À esquerda, em azul, os ocidentais e à direita, em vermelho, os chineses.

_______________________Filas

_______________________Hora do duche

_______________________No restaurante

_______________________O chefe

_______________________Raiva

_______________________Relações Sociais

_______________________Sábado na rua

_______________________Vida quotidiana

Seguem os endereços do seu site e blogue:
http://www.yangliudesign.com/
http://yangliudesign.blogspot.com/

Supermercados estrangeiros em Nanjing - 外国超市在南京

Em Nanjing podemos encontrar pelo menos 4 diferentes supermercados “estrangeiros”.
Todos eles oferecem uma vasta gama alimentar adaptada ao consumo local: produtos nacionais e locais, venda avulso superior àquilo que é costume na Europa, o peixe é vendido vivo, etc., mas também apresentam produtos importados tão desejados quando nos encontramos longe “de casa”.

Temos o americano Wal-Mart (沃尔玛) localizado em pleno centro da cidade, mesmo alí em Xinjiekou (新街口) no centro comercial Wanda Shopping.
Este supermercado está repartido em dois andares, sendo que no 1º andar encontra-se a secção alimentar e no 2º a não-alimentar: electrodomésticos, brinquedos, roupa, calçado, livraria, jogos de cama, produtos de higiene diária, produtos de limpeza, etc.
A área dos produtos importados é muito pequena. Diria até, ridicularmente pequena, limitando-se a um placar.
O Wal-Mart instalou-se na China em 1996.

Há o gigante francês Carrefour (家乐福) que tem dois supermercados nesta cidade. Um localizado em Daqiaonan (大桥南) e outro em Daxinggong (大行宫).
Aquele que eu descrevo em seguida é o que se encontra em Daxinggong.
Este supermercado é, curiosamente, subterrâneo. Encontra-se pertíssimo da biblioteca de Nanjing, na Praça do Povo.
Também dividido em dois andares, seguindo a mesma lógica do Wal-Mart, podemos igualmente encontrar produtos importados.
O Carrefour tem um parque automóvel subterrâneo.

O Carrefour instalou-se na China em 1995.

Temos igualmente o Auchan (欧尚), outro francês. Há pelo menos 2 supermercados Auchan, um em Nanjing, mais precisamente em Hanzhongmen (汉中门) e outro nos arredores, em Jiangning (江宁).
Irei aqui falar do recentemente inaugurado em Jiangning.
Aqui também encontraremos o supermercado construido em dois andares sendo a disposição dos bens alimentares e não-alimentares idêntica à dos seus concorrentes acima mencionados. No entanto, a disposição destes bens segue uma lógica mais funcional.
O Auchan tem um parque automóvel e um parque para motos e bicicletas.

O Auchan instalou-se na China em 1999.

Finalmente, há o alemão Metro – Cash and Carry (麦德龙). Instalado no centro de Jiangning (江宁), mais precisamente em Yuhuatai (雨花台), arredores de Nanjing portanto.
Nunca lá fui, por isso não posso falar deste supermercado. No entanto, o sistema é igual ao da Europa, ou seja, é preciso ser um cliente Metro (e para tal, ser comerciante ou retalhista) e adquirir um cartão Metro para podermos efectuar aí as nossas compras.

O Metro instalou-se na China em 1995.

Pessoalmente, gosto muito mais do Auchan do que dos outros. A carne é de qualidade superior; os frutos e vegetais mais frescos; temos aqui pão francês (a baguette. E boa, diga-se de passagem); os corredores e as prateleiras estão disponibilizados seguindo uma lógica coerente (contrariamente ao Carrefour e ao Wal-Mart onde é tudo muito confuso); a oferta em termos de produtos importados é maior (bem maior!) e a relação qualidade-preço é muito melhor aqui.
Para quem vive em Nanjing fica um pouco fora de mão mas há vários autocarros que param perto e a viagem de táxi rondará os 30 Yuans (cerca de 3 Euros).
Mas para mim, que vivo nos arredores, este é o que fica mais perto (40 minutos de autocarro) e, sorte minha, o melhor deles todos!

Mar 21, 2009

O noticiário do Governo Central - 新闻联播

A Televisão Central da China (CCTV, sigla do nome em inglês) transmite diariamente às 19h em ponto o noticiário do Governo Central denominado por Xinwen Lianbo (新闻联播).

Acho sempre muito interessante assistir a este noticiário (mesmo que não perceba ainda muito mandarim).
Os apresentadores (geralmente dois, um homem e uma mulher) são já velhas figuras conhecidas dos chineses. A postura é impecavelmente irrepreensível, quase que não se movem e o discurso é dado sem qualquer tipo de emoção: nem um sorriso, nem uma graçinha.

O programa inicia-se sempre com as actividades do líder do Partido (em Portugal com o futebol) e, salvo raras exepções, nunca menciona incidentes nacionais (apenas as televisões regionais darão conta de alguns problemas nacionais ou locais).

Porquê que acho este programa interessante? Pelo teor das notícias, claro!
Em meia hora ficamos a saber como tudo está bem na China: os efeitos das políticas de estímulo ecónomico estão a ter resultados satisfatórios (num cenário de crise internacional, verifica-se cá um constante crescimento económico); os camponeses estão satisfeitos com os incentivos do Governo; a China reforça os inúmeros laços diplomáticos e de amizade com muitos países; o Governo presta especial atenção ao meio ambiente e ao bem social; o mundo elogia a China, por diversas razões; o povo tem o que comer; os tibetanos vivem felizes e no Xinjiang reina uma total harmonia.

O noticiário é também um dos canais privilegiado para a transmissão das directivas do Governo central. É transmitido 2 ou 3 vezes por dia (o mesmo noticiário) e em vários canais televisivos em simultâneo.

Mar 14, 2009

Campanha Nacional Plantar Árvores - 植树节

Na China celebra-se, desde 1979, o Dia da Árvore no dia 12 de Março.

Em 1981, na realização do IV encontro do V Congresso da Assembleia Nacional Popular da República Popular da China, criou-se a “resolução sobre o voluntariado nacional da campanha plantar árvores” (关于开展全民义务植树运动的决议) que decreta que todo o cidadão com idade superior a 11 anos e inferior a 60 deverá plantar anualmente entre 3 a 5 árvores. Esta medida foi criada com o objectivo de reflorescer cerca de 20% do território até 2010.
De facto, de “voluntário” pouco tem esta campanha, pois na verdade, é sim uma obrigação/dever (obrigação/dever da comunidade). Por assim dizer, a população deve, de forma voluntária, contribuir à reflorestação nacional.

Anualmente, são biliões de árvores plantadas em todo o país (atenção, nem todas as árvores plantadas sobrevivem).

Muitas empresas, instituições e comunidades organizam actividades no sentido de levar os seus funcionários, estudantes, habitantes, comerciantes, etc. a plantar árvores em parques urbanos ou no campo.

A dimensão (em termos humanos) que esta actividade anual pode tomar é impressionante. Aqui perto de minha casa foram mobilizados esta manhã cerca de 20 autocarros (o equivalente a +/– 800 pessoas).
Toda esta gente veio plantar árvores numa reserva natural em Jiangning (江宁) nos arredores de Nanjing.

Mar 10, 2009

Sugestão DVDs (I) - 推荐 DVD (一)

Tentarei neste blogue, sugerir de quando em quando, alguns livros e DVD relacionados com a China.
As minhas primeiras duas sugestões de "visionamento" DVD são as seguintes:

China: A Century of Revolution (中国革命的世纪)
Filmado a cores e a preto e branco, este documentário de 6 horas transporta-nos para um período muito conturbado da história da China: a pré e pós revolução cultural.
O filme está dividido em 3 partes:
1ª parte: China in Revolution 1911-1949
2ª parte: The Mao Years 1949-1976
3ª parte: Born Under the Red Flag 1976-1997


Up the Yangtze (沿江而上)
Documentário da autoria de Yung Chang.
O filme centra-se nos efeitos sociais e ambientais da construção da maior barragem do mundo, a barragem das Três Gargantas construída no rio Chang Jiang (Yangtze), em Hubei, China.
A construção da mesma obrigará, no total, o deslocamento de cerca de 1,2 milhões de habitantes bem como será responsável pelo desaparecimento de inúmeras aldeias, cidades e habitats (eccosistemas).

Mar 6, 2009

Curiosidades - 好奇心

1ª publicação/artigo (post) dedicado às curiosidades na China, que não são mais do que diferenças culturais.
São aspectos interessantes com os quais me vou encontrando diariamente.

1ª curiosidade:
A sopa na China não se come, bebe-se!
É verdade, enquanto que nós dizemos: "Come a sopa!" ou "quero comer uma sopinha", por cá diz-se "bebe a sopa!" ou "quero beber um sopinha".
Aliás, muitas vezes, quando perguntamos a uma chinesa (sim, serão sobretudo elas) o que querem beber à refeição a resposta será: uma sopa (喝汤, "hetang", literalmente "beber sopa");

2ª curiosidade:
Na China não existe rés-do-chão.
O andar térreo (o nosso r/c) é aqui o 1º andar. Assim, o 2º andar na China é o nosso 1º.
Actualmente moro no 5º andar (chinês), o que corresponde "na realidade", ao 4º andar.

3ª curiosidade:
A ausência de pudor (ou excesso de "à vontade") adicionado à um certo sentimento de comunitarismo. Aliás, a intimidade chinesa difere bastante daquela à que estou habituado (aquela que me foi transmitida).
Um caso revelador desta característica é quando utilizamos as casas de banho públicas (ou privadas, como nos centros comerciais).

Primeiramente, a maioria delas são casas de banho turcas (buraco no chão) mas, verdade seja dita, encontro mais WC públicos na China do que em qualquer outro pais onde já estive. Pois bem, estas podem ter apenas um pequeno muro que as separam e quando tem paredes (como as mais recentes) podem não ter portas!
De qualquer forma, já vi milhares de vezes utilizadores que, mesmo que estas tenham portas, não as fecham! É vê-los agachados, defecando, lendo um jornal ou falando ao telemóvel, perante todos aqueles que entrem no WC... ah não acreditam? Pois aqui vai uma fotografia que tirei em Lanzhou (兰州) (capital da província de Gansu, noroeste da China).

Civismo na China - 公民精神在中国

O que há a dizer sobre civismo na China?

Nada.
Absolutamente nada.

Aliás, não posso falar de algo que nunca vi.

Mar 3, 2009

Tintin na China - 丁丁在中国

O Lótus Azul (蓝莲花) é a mais conhecida aventura de Tintin na China. Dos 22 volumes publicados (oficialmente) na China em 2001, este é aquele que se esgota mais depressa.

Tintin em chinês mandarim é dingding (丁丁).

Um mensageiro proveniente da China encontra-se com Tintin na Índia, onde este está a descansar após mais uma aventura.
O objectivo do encontro é pedir ajuda ao repórter. No entanto, o mensageiro é atingido por uma flecha envenenada que o leva à loucura. Apenas terá tempo para pronunciar as palavras “Mitsuhirato”, “precisamos de si” e “Shanghai” antes de perder totalmente a razão.
Este caso tem ligação com traficantes de droga contra os quais Tintin enfrentou-se numa aventura anterior.
É desta forma que Tintin parte para Shanghai, com o objectivo de desvendar este caso. Mas o japonês Mitsuhirato, que mais tarde aprendemos ser um trafiquante de ópio, irá dificultar a vida ao repórter…
Para o inspirar mas sobretudo informar da China, Hergé (desenhista, criador de Tintin) é apresentado a Zhang Chongren (張仲仁), um jovem estudante chinês que fazia parte da Academia das Belas-Artes de Bruxelas. Tiveram longas conversas que deitaram abaixo os estereótipos de Hergé em relação à China, construindo simultaneamente uma profunda amizade entre os dois.

Tanto foi, que Hergé criou a personagem Tchang (transcrição fonética de Zhang) que viria a acompanhar Tintin em 3 das suas aventuras.
Neste álbum, Tchang é um verdadeiro amigo para Tintin, acompanhando-o por todo o lado, ajudando-o sempre e no fim, fazendo mesmo chorar Tintin, quando este deve deixar a China.

Zhang Chongren (1907-1998), virá a ser um famoso artista e escultor, tendo inclusivé um museu em sua memória na sua cidade natal, Shanghai.
A aventura de Tintin na China iria revelar uma imagem do país, mais próxima da realidade.
Hergé pretende derrubar mitos infundados (europeus e chineses) bem como criticar a atitude ocidental perante o conflito sino-japonês que favorecia o Japão. Hergé fora mais tarde, criticado por representantes japoneses em Bruxelas.
Mas esta aventura dá-nos a conhecer também a China, a sua cultura, a sua língua, a sua gastronomia e o seu povo.
A capa original do álbum editado em 1936 (capa da esquerda) foi inspirada de uma fotografia que serviu de capa para o magazine A-Z, na qual se vê a actriz sino-americana Anna May Wong (黄柳霜) pousando num fundo negro do qual sobresai um dragão vermelho (imagem seguinte, à direita).
Mais tarde, na sua edição a cores (1946), a capa do álgum será alterada e nela veremos um dragão negro num fundo vermelho (capa da direita).
Tintin tem também aqui, um grupo de fans...!

Feb 27, 2009

Citroen AX e a Grande Muralha - 雪铁龙与长城

Esta tarde lembrei-me de repente numa publicidade que me impressionou quando eu era mais novo, em França (uma entre muitas). Fui então ao YouTube e encontrei-a!

Trata-se de uma publicidade dos anos 80 (segundo sites chineses de 1987) da Citroen AX filmada nada mais, nada menos na Grande Muralha da China!

video

Ao que pude apurar, esta campanha publicitária terá (uma vez ultrapassado os diversos problemas com as autoridades e o Governo Central para obter a autorização de tal filmagem) custado bastante financeiramente. Parece que, o troço da muralha que na época tinha já sido restaurado (destinada ao turismo) era demasiada curto para o que pretendia a agência publicitária. Assim sendo, em troca, a Citroen terá financiado a restauração de um troço suplementar da muralha (esta informação carece ser confirmada) bem como o pagamento de outros (inúmeros) encargos.

Os problemas foram de diversas ordens, nomeadamente, simbólicos. De facto, Citroen em chinês é "雪铁龙", Xue Tielong que significa literalmente Neve, Ferro e Dragão. Ou seja, a Citroen seria um dragão de ferro. A Grande Muralha é ela também considerada um dragão (um dragão de fogo, creio eu), pelo que um dragão de ferro nunca poderia andar às costas ou às cavalitas de um dragão de fogo...

Mas mesmo assim, no fim, as filmagens foram autorizadas.
No entanto, algumas cenas poderão ter sido filmadas em França mais precisamente em Boulogne-Billancourt (uma comuna francesa), departamento de Hauts-de-Seine.

Bem, de qualquer maneira fazer algo desta natureza e envergadura na China e com um edifício classificado como Património Mundial da UNESCO (nesse preciso ano! 1987) seria hoje algo, se não impossível, muito contestado e polémico! E com toda a razão, diga-se de passagem.

Enfim, fora isso e o estereótipo dos dois chineses no fim, não deixa de ser interessante, não acham?

Feb 26, 2009

Petição Online: salvemos as instalações da Livraria Portuguesa em Macau - 请愿: 澳门的老书店葡文书局

Para: Presidência da República Portuguesa, Presidente da Assembleia da República Portuguesa, Primeiro Ministro de Portugal, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Ministro da Cultura de Portugal, Grupo Parlamentar do PS, Grupo Parlamentar do PSD, Grupo Parlamentar do PCP, Grupo Parlamentar do PP, Grupo Parlamentar do BE, Grupo Parlamentar do PEV

Pretende o IPOR, instituição detida em 51% pelo Estado Português através do Instituto Camões, vender a fracção autónoma constituída por cave, loja e sobreloja, sita numa das ruas mais centrais e de maior movimento da cidade, na continuação do Largo do Senado, que adquiriu à Administração Portuguesa de Macau pela irrisória quantia de cerca de 900,000.00 patacas para nela instalar a Livraria Portuguesa bem como uma Galeria que ao longo dos anos foi utilizada para exposições, conferências, colóquios, apresentações de livros, etc.

A venda preconizada e defendida pela Fundação Oriente permite uma receita de uns cinquenta e tal milhões de patacas, mas priva a comunidade de língua portuguesa, e não somente os portugueses, de um espaço essencial, único, cuja propriedade ainda é de uma instituição portuguesa e, maioritariamente, do Estado Português.

Em troca, o IPOR pretende entregar, novamente sem concurso, a exploração da Livraria a outro particular, instalando-a, eventualmente, num prédio estreito sem condições nem dignidade e distribuída por quatro andares sem elevador, numa zona menor da cidade, e servindo-se disso para argumentar que não está em causa a continuidade da Livraria Portuguesa. O que não é verdade!

Há ainda a considerar que ao deixar de dispor de instalações próprias para passar a operar em instalações arrendadas, fica assim sujeita à incerteza das flutuações do mercado imobiliário, nomeadamente ao aumento de rendas e eventual cessão do contrato.

As entidades que tinham a seu cargo a dinamização da presença cultural portuguesa - o IPOR e a Fundação Oriente - foram deixando de promover quaisquer actividades em Macau, justificando tal com dificuldades de índole financeira.

A Casa de Portugal em Macau, que tem vindo a desdobrar-se em iniciativas que vão desde a organização de exposições, debates, ciclos de cinema, abertura de oficinas para o ensino de artes, informática, audiovisual, etc, procurando preencher o vazio deixado por essas instituições e manter a presença da nossa cultura, parte indissociável da identidade de Macau que a República Popular da China tem mostrado prezar, não pode assistir sem uma profunda revolta a esta visão redutora e economicista das entidades que mais obrigação tinham de zelar pela nossa cultura e pela nossa língua.

Assim, apelamos a todos os amigos de Macau, da Cultura e da Língua Portuguesa que juntem a sua à nossa voz, para que um protesto sonoro chegue a Lisboa a tempo de travar este atentado à presença e cultura lusófona em Macau!



Apesar de me encontrar na China, continuo muito ligado à Macau.
Aquilo que o IPOR pretende fazer com a Livraria Portuguesa é vergonhoso (no mínimo).

Se ainda não assinou a petição e pretende fazê-lo, aqui tem o link: http://www.petitiononline.com/cpmlivpt/

Feb 25, 2009

Primavera, onde estás? 春天,你在哪里?









A Primavera ficou retida nalgum lugar do globo.
Aqui em Nanjing está muito frio, chove praticamente todos os dias e parece mesmo que vá nevar nos próximos dias!

Feb 23, 2009

Um estrangeiro na China - 外国人在中国

Situação a que ainda me é difícil acostumar é a de sermos, constantemente, chamados de "laowai" (老外) sempre que colocamos o pé fora de casa. Sejam crianças ou adultos; estudantes universitários ou trabalhadores migrantes a palavrinha sai imediatamente da boca.

Na internet o debate sobre o significado do termo é longo e as opiniões quanto às intenções dos que o utilizam são divergentes pelo que não vou aqui debater-me sobre o sentido da palavra. Vejam a título de exemplos alguns blogues e sites:
Sanpaworn: Lawai
http://sanpaworn.vissaventure.com/?id=123

The Kangaroo and the Dragon: Seven Ways to Say "Foreigner"
http://www.waze.net/china/laowai.php

People's Daily Online: Is "Laowai" a negative term?
http://english.peopledaily.com.cn/90001/90780/91345/6325229.html

Wikipedia: Laowai
http://en.wikipedia.org/wiki/Laowai

Beyond well being: The "Laowai", Racism and Personal Space in China
http://beyondwellbeing.com/al/1998/01/the_laowai_racism_and_personal.html

Muitos chineses conhecidos meus dir-me-ao que a designação perdeu a sua conotação incial, pejorativa sendo actualmente um coloquialismo, usada indiscriminadamente.
Acredito que sim, da mesma forma que também acredito que alguns deles (meus amigos) se sentem incomodados com essa realidade.

A verdade é que, pelo que me pude aperceber, uns utilizam-na para demonstrar espanto, outros desprezo e há também quem a utiliza de forma ingénua, inocente.
No fundo, não me sinto realmente ofendido mas, verdade seja dita, não gosto e cansa sermos sempre apontados do dedo, observados de forma descarada e denominados desta forma à toda a hora.

Enfim, sempre é melhor do que a designação utilizada em Macau "鬼佬" (Guilao) que literalmente significa demónio/espírito e tipo (no sentido popular de indivíduo; sujeito).

Uma pequena nota sobre a tradução da palavra "estrangeiro" no título deste artigo/post: "外国人" (wei guo ren) que significa à letra, pessoa de país estrangeiro, termo "mais em conta" que designa qualquer pessoa que não seja nativa da China.